13ª Etapa Mbeya – Chipoka (Malawi)
Após uma temporada de férias na Tanzânia, os nossos aventureiros Just4Fun exploram agora o último país antes da entrada em Moçambique. Este interregno de mais de 5 meses na PVTA, serviu para descansar os pedais, lubrificar os elos da corrente e confraternizar também com as gentes locais. A PVTA entra assim na recta final, ainda dentro do objectivo inicial de chegar a Nampula antes do final deste ano. Durante esta fase de menor actividade do grupo, as comunicações resumiram-se ao essencial, apenas para tomar conhecimento do estado de saúde dos nossos amigos.
Arraiais levantados da Tanzânia e o próximo destino do grupo era mais um país da África Oriental, desta feita o Malawi. O Malawi, é limitado a norte e a nordeste com a Tanzânia, ao sul, este e sudoeste com Moçambique e a oeste com a Zâmbia. Desde o tempo colonial, que este território é conhecido por nomes relacionados com o grande lago que o limita a oriente. Parte da região oriental do país, é banhado pelo Lago Niassa que na língua inglesa é conhecido como Lago Malawi. Esta palavra significa, em língua cinyanja, o nascer-do-sol, tal como está representado na bandeira, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia. O traço mais marcante da sua geografia é o lago Malawi ou Niassa, terceiro mais extenso de África, que ocupa cerca de um quarto do país, com aproximadamente 31 000 km², dividindo-o com Moçambique e fazendo a fronteira com a Tanzânia.
Esquerda: Nascer do Sol sobre o lago MalaWi Centro: Lago Malawi visto do céu Direita: Kaya-Mawa lodge
O percurso tomado pelos ciclistas, foi um percurso sempre junto ao grande lago, permitindo pedaladas de grande beleza. Atentos para o facto de este país conter uma variedade surpreendente de animais, as cautelas do grupo foram redobradas no sentido de evitar qualquer surpresa, contudo, a peripécia mais perigosa que os Funner’s verificaram, desde que saíram de Lisboa, viria a ocorrer precisamente na noite em que o grupo acampou junto ao lago, nas imediações da cidade de Chipoka, cidade situada no distrito de Salima. Nesse final de dia, o grupo foi surpreendido pelo cair da noite e montou as tendas junto ao lago, de forma a também poder contemplar o nascer do Sol na manhã seguinte, tentando assim perceber a motivação do povo para dar o nome “nascer do sol” a este país. Nessa noite, o grupo viveu provavelmente as sensações que exploradores como Livingstone, viveram nesta região. Com a disposição das tendas montadas em meio circulo, o grupo fez uma fogueira e enquanto se aquecia na fresca noite, aproveitou para assar um peixinho que NC conseguiu pescar no lago. Alguns ruídos estranhos ecoavam aqui e ali e com medo de atrair a bicharada, decidiram apagar o fogo e recolher às tendas. Bom, mas o melhor será mesmo ler o que TA nos relatou esta manhã. O texto não está fiel às suas palavras, uma vez que TA tinha ainda muita dificuldade em articular duas palavras seguidas sem gaguejar, devido ao grande susto que teve mas a ideia esta lá…
Esquerda: Pedaladas na margem do lago MalaWi Direita: Acampamento Just4Fun no lago Malawi
“Após aquele que considero ter sido o melhor fim de dia que tive nesta PVTA, por toda a envolvência do espaço selvagem, a união do grupo em torno de uma fogueira, a refeição quente que NC nos proporcionou ao conseguir pescar peixe para todos… enfim, creio que cada um de nós terá sentido um bocadinho a sensação de ser um explorador na verdadeira ascensão da palavra. Para mim, ter-me-ia bastado esse final de dia para jamais esquecer este momento mas não, teve de me acontecer algo mais sério para apimentar esta experiência e deixar as suas marcas… pois é disso mesmo que se trata, marcas. Passo a explicar. Após uma noite bem descansada e bem dormida, apesar dos inúmeros sons que se ouviam lá fora, acordei aos primeiros raios de Sol para desfrutar do seu nascer sobre o lago e quando abro o fecho da tenda dou de caras com um enorme crocodilo! Nesse instante, estarrecido, gritei por socorro, grito esse que parece ter derpertado a ira do animal, fazendo-o abrir as enormes mandíbulas e mostrando-me todos os seus afiados dentes. Morri de medo!! Prestes a entrar para aquele horrendo saco cama género Lacoste, num gesto irracional e numa tentativa de retardar o inevitável, saltei para trás, encostando-me ao fundo da minha tenda. Nesse movimento instintivo, pontapeei violentamente a minha bicicleta que deitara aos pés da tenda, no momento em que o animal avançava de boca aberta para mim. Num rasgo de grande sorte, a minha bicicleta ficou a bloquear a boca do animal enquanto este se abanava violentamente para um lado e para outro, tentado livrar-se daquele monte de ferros. Nisto, consigo fugir da tenda e ir para junto dos meus companheiros, que entretanto faziam apostas e assistiam assustados lá fora. Com tanta agitação, a bicicleta acaba por sair disparada da boca daquele bicho enorme, sobrevoando todas as nossas tendas e indo parar… dentro de água. Precisamente o local, para onde o crocodilo se dirigia, após ter chicoteado violentamente a minha tenda com a sua poderosa cauda.”
Jacaré com bike do TA
Visivelmente transtornado, TA passou o telefone a NC que termina a comunicação, explicando que só conseguiram recuperar a bicicleta algumas horas depois, por intermédio da sua cana de pesca improvisada na noite anterior quando apanhou o peixe. Antes de desligar, NC ainda nos disse que apesar do sucedido à bicicleta e embora bastante mal tratada, esta terá aparentemente condições para continuar. Tudo está bem quando acaba bem e por todos os perigos vividos inocentemente pelo grupo, tudo acabou por não passar de um gigantesco susto.
Calculo que depois disto, o grupo tenha montado nas suas bicicletas e pedalado, rapidamente, em direcção a Moçambique.
Passaram 12 meses, e os nossos companheiros preparam-se agora para deixar para trás o 12º país desta PVTA. Nesta 13ª etapa, foram percorridos 752,5km, sendo o acumulado desde a saída de Lisboa de 11.666,3Km.
Progressão ao fim da 13ª Etapa PVTA
Esta aventura aproxima-se do fim mas ainda não terminou. Estamos convosco Amigos!
Até breve!
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Malawi
Demografia: Com 9 grupos étnicos, dados de 2008 indicam que vivem no Malawi mais de 14 milhões de pessoas em que apenas 3% da população está na faixa etária acima dos 65 anos.
Economia: O Malawi é um país subdesenvolvido que depende fundamentalmente da agricultura. Tem uma extensão de 11,8 milhões de hectares mas só 40% são cultiváveis. A agricultura representa 42% do PIB e 80% das exportações, sobretudo tabaco e chá. Mais de 85% da população vive no campo. De acordo com o relatório de 2005 do FMI, o Malawi é o país mais pobre do mundo.
Capital: Lilongwe, é desde 1975, a capital do Malawi, localizada na zona centro-sul deste que é um dos países com pior qualidade de vida do continente africano. Conhecida como uma “capital dormitório”, desde Janeiro de 1975, Lilongwe evoluiu para uma capital completa, quando o recém-eleito presidente Bingu Wa Mutharika exigiu que todos os escritórios do governo se mudassem para Lilongwe após as eleições presidenciais e parlamentares de Maio de 2004. Lilongwe é actualmente o centro político do Malawi, mas Blantyre continua a ser a capital económica.
Lilongwe – Capital do Malawi
Religião: A população do Malawi é maioritariamente cristã (80%). 13% da população é seguidora do cristianismo e a restante percentagem da população segue religiões tradicionais africanas.
Língua: O cinianja, falada por mais de 9 milhões de pessoas, é a língua nacional (o inglês é a oficial) da república do Malawi (sob o nome de chichewa), uma das sete línguas africanas oficiais. Também é falada em Moçambique, especialmente nas províncias do Niassa e de Tete, tal como no Zimbabué onde, segundo algumas estimativas, é a terceira língua africana mais falada.
Clima: O clima é tropical na região central até o norte, com uma temperatura média anual de 30 °C, e mais ameno (clima temperado) ao sul, sob influência das correntes de ar frio (no inverno) do sul do continente africano, com estações do ano mais bem definidas que o centro-norte.
Moeda: O Kwacha malawiana (MWK, sigla internacional) é a moeda oficial do Malawi desde 1971, altura em que substituiu a libra malawiana a uma taxa de 2 kwacha = 1 libra. Divide-se em 100 tambala. (1 Euro = 227,27 kwachas do Malawi, em 08/11/2011)
Locais de interesse
O relevo varia entre as planícies do rio Shire, que origina-se no Lago Niassa e desagua no rio Zambezi, já em território moçambicano, e planaltos desde a fronteira ocidental com a Zâmbia às proximidades da margem ocidental do Lago Niassa. Uma cadeia montanhosa estende-se de norte ao centro-oeste do país, com elevações entre 1000 e 2000 metros, que correspondem às montanhas que seguem o Vale do Rift da África Oriental. Na porção sudeste do país, a leste do vale do rio Shire, ergue-se o maciço de Mulanje (também pertencente às cadeias marginais do Vale do Rift) com o pico Sapitwa que, com 3002 m. de altitude, é o ponto mais elevado do país.
Lago Niassa ou Lago Malawi é um dos Grandes Lagos Africanos e está localizado no Vale do Rift, entre o Malawi, a Tanzânia e Moçambique. Com uma orientação norte-sul, o lago tem 560 km de comprimento, 80 km de largura máxima e uma profundidade máxima de 700 m.É um lago único no mundo, com cerca de 400 espécies de ciclídeos (família de peixes de água doce) descritas endémicas (cerca de 30% de todos os ciclídeos conhecidos no mundo) e provavelmente muitas ainda por descrever. Estima-se que tenha uma idade entre um e dois milhões de anos. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registos. O Parque Nacional do Lago Malawi, no sul do Malawi, abrangendo a extremidade sul do lago, uma dúzia de ilhas, uma região de reserva florestal e uma zona aquática até 100m da costa foi inscrito pela UNESCO, em 1984, na lista dos locais que são Património da Humanidade.
Fauna: Para um país pequeno, o Malawi tem uma variedade de animais surpreendente. A sua situação geográfica permite-lhe ter animais das regiões central, sul e este de África. Muitos dos maiores animais podem ser encontrados na vida selvagem, parque e reservas. Liwonde National Park, é o lar de grandes manadas de elefantes e antílopes. Também se pode encontrar hipopótamos e crocodilos e mais raramente, rinocerontes. Os leões podem ser vistos em Nkhotakota Wildlife Reserve e as zebras podem ser vistas em Kasungu National Park.
Esquerda: Liwonde National Park Centro:Nkhotakota Wildwife Reserve Direita : Kansungu National Park
Chipoka: Chipoka é uma cidade situada no distrito de Salima Região Central, no Malawi. É um dos principais portos no Lago Malawi.

































