13ª Etapa Mbeya (Tanzânia) – Chipoka (Malawi)

13ª Etapa Mbeya – Chipoka (Malawi)

Após uma temporada de férias na Tanzânia, os nossos aventureiros Just4Fun exploram agora o último país antes da entrada em Moçambique. Este interregno de mais de 5 meses na PVTA, serviu para descansar os pedais, lubrificar os elos da corrente e confraternizar também com as gentes locais. A PVTA entra assim na recta final, ainda dentro do objectivo inicial de chegar a Nampula antes do final deste ano. Durante esta fase de menor actividade do grupo, as comunicações resumiram-se ao essencial, apenas para tomar conhecimento do estado de saúde dos nossos amigos.

Arraiais levantados da Tanzânia e o próximo destino do grupo era mais um país da África Oriental, desta feita o Malawi. O Malawi, é limitado a norte e a nordeste com a Tanzânia, ao sul, este e sudoeste com Moçambique e a oeste com a Zâmbia. Desde o tempo colonial, que este território é conhecido por nomes relacionados com o grande lago que o limita a oriente. Parte da região oriental do país, é banhado pelo Lago Niassa que na língua inglesa é conhecido como Lago Malawi. Esta palavra significa, em língua cinyanja, o nascer-do-sol, tal como está representado na bandeira, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia. O traço mais marcante da sua geografia é o lago Malawi ou Niassa, terceiro mais extenso de África, que ocupa cerca de um quarto do país, com aproximadamente 31 000 km², dividindo-o com Moçambique e fazendo a fronteira com a Tanzânia.

Esquerda: Nascer do Sol sobre o lago MalaWi Centro: Lago Malawi visto do céu Direita: Kaya-Mawa lodge

O percurso tomado pelos ciclistas, foi um percurso sempre junto ao grande lago, permitindo pedaladas de grande beleza. Atentos para o facto de este país conter uma variedade surpreendente de animais, as cautelas do grupo foram redobradas no sentido de evitar qualquer surpresa, contudo, a peripécia mais perigosa que os Funner’s verificaram, desde que saíram de Lisboa, viria a ocorrer precisamente na noite em que o grupo acampou junto ao lago, nas imediações da cidade de Chipoka, cidade situada no distrito de Salima. Nesse final de dia, o grupo foi surpreendido pelo cair da noite e montou as tendas junto ao lago, de forma a também poder contemplar o nascer do Sol na manhã seguinte, tentando assim perceber a motivação do povo para dar o nome “nascer do sol” a este país. Nessa noite, o grupo viveu provavelmente as sensações que exploradores como Livingstone, viveram nesta região. Com a disposição das tendas montadas em meio circulo, o grupo fez uma fogueira e enquanto se aquecia na fresca noite, aproveitou para assar um peixinho que NC conseguiu pescar no lago. Alguns ruídos estranhos ecoavam aqui e ali e com medo de atrair a bicharada, decidiram apagar o fogo e recolher às tendas. Bom, mas o melhor será mesmo ler o que TA nos relatou esta manhã. O texto não está fiel às suas palavras, uma vez que TA tinha ainda muita dificuldade em articular duas palavras seguidas sem gaguejar, devido ao grande susto que teve mas a ideia esta lá…

Esquerda: Pedaladas na margem do lago MalaWi  Direita: Acampamento Just4Fun no lago Malawi

“Após aquele que considero ter sido o melhor fim de dia que tive nesta PVTA, por toda a envolvência do espaço selvagem, a união do grupo em torno de uma fogueira, a refeição quente que NC nos proporcionou ao conseguir pescar peixe para todos… enfim, creio que cada um de nós terá sentido um bocadinho a sensação de ser um explorador na verdadeira ascensão da palavra. Para mim, ter-me-ia bastado esse final de dia para jamais esquecer este momento mas não, teve de me acontecer algo mais sério para apimentar esta experiência e deixar as suas marcas… pois é disso mesmo que se trata, marcas. Passo a explicar. Após uma noite bem descansada e bem dormida, apesar dos inúmeros sons que se ouviam lá fora, acordei aos primeiros raios de Sol para desfrutar do seu nascer sobre o lago e quando abro o fecho da tenda dou de caras com um enorme crocodilo! Nesse instante, estarrecido, gritei por socorro, grito esse que parece ter derpertado a ira do animal, fazendo-o abrir as enormes mandíbulas e mostrando-me todos os seus afiados dentes. Morri de medo!! Prestes a entrar para aquele horrendo saco cama género Lacoste, num gesto irracional e numa tentativa de retardar o inevitável, saltei para trás, encostando-me ao fundo da minha tenda. Nesse movimento instintivo, pontapeei violentamente a minha bicicleta que deitara aos pés da tenda, no momento em que o animal avançava de boca aberta para mim. Num rasgo de grande sorte, a minha bicicleta ficou a bloquear a boca do animal enquanto este se abanava violentamente para um lado e para outro, tentado livrar-se daquele monte de ferros. Nisto, consigo fugir da tenda e ir para junto dos meus companheiros, que entretanto faziam apostas e assistiam assustados lá fora. Com tanta agitação, a bicicleta acaba por sair disparada da boca daquele bicho enorme, sobrevoando todas as nossas tendas e indo parar… dentro de água. Precisamente o local, para onde o crocodilo se dirigia, após ter chicoteado violentamente a minha tenda com a sua poderosa cauda.”

Jacaré com bike do TA

Visivelmente transtornado, TA passou o telefone a NC que termina a comunicação, explicando que só conseguiram recuperar a bicicleta algumas horas depois, por intermédio da sua cana de pesca improvisada na noite anterior quando apanhou o peixe. Antes de desligar, NC ainda nos disse que apesar do sucedido à bicicleta e embora bastante mal tratada, esta terá aparentemente condições para continuar. Tudo está bem quando acaba bem e por todos os perigos vividos inocentemente pelo grupo, tudo acabou por não passar de um gigantesco susto.

Calculo que depois disto, o grupo tenha montado nas suas bicicletas e pedalado, rapidamente, em direcção a Moçambique.

Passaram 12 meses, e os nossos companheiros preparam-se agora para deixar para trás o 12º país desta PVTA. Nesta 13ª etapa, foram percorridos 752,5km, sendo o acumulado desde a saída de Lisboa de 11.666,3Km.

Progressão ao fim da 13ª Etapa PVTA

Esta aventura aproxima-se do fim mas ainda não terminou. Estamos convosco Amigos!

Até breve!

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 Malawi

Demografia: Com 9 grupos étnicos, dados de 2008 indicam que vivem no Malawi mais de 14 milhões de pessoas em que apenas 3% da população está na faixa etária acima dos 65 anos.

Economia: O Malawi é um país subdesenvolvido que depende fundamentalmente da agricultura. Tem uma extensão de 11,8 milhões de hectares mas só 40% são cultiváveis. A agricultura representa 42% do PIB e 80% das exportações, sobretudo tabaco e chá. Mais de 85% da população vive no campo. De acordo com o relatório de 2005 do FMI, o Malawi é o país mais pobre do mundo.

Capital: Lilongwe, é desde 1975, a capital do Malawi, localizada na zona centro-sul deste que é um dos países com pior qualidade de vida do continente africano. Conhecida como uma “capital dormitório”, desde Janeiro de 1975, Lilongwe evoluiu para uma capital completa, quando o recém-eleito presidente Bingu Wa Mutharika exigiu que todos os escritórios do governo se mudassem para Lilongwe após as eleições presidenciais e parlamentares de Maio de 2004. Lilongwe é actualmente o centro político do Malawi, mas Blantyre continua a ser a capital económica.

Lilongwe – Capital do Malawi

Religião: A população do Malawi é maioritariamente cristã (80%). 13% da população é seguidora do cristianismo e a restante percentagem da população segue religiões tradicionais africanas.

Língua: O cinianja, falada por mais de 9 milhões de pessoas, é a língua nacional (o inglês é a oficial) da república do Malawi (sob o nome de chichewa), uma das sete línguas africanas oficiais. Também é falada em Moçambique, especialmente nas províncias do Niassa e de Tete, tal como no Zimbabué onde, segundo algumas estimativas, é a terceira língua africana mais falada.

Clima: O clima é tropical na região central até o norte, com uma temperatura média anual de 30 °C, e mais ameno (clima temperado) ao sul, sob influência das correntes de ar frio (no inverno) do sul do continente africano, com estações do ano mais bem definidas que o centro-norte.

Moeda: O Kwacha malawiana (MWK, sigla internacional) é a moeda oficial do Malawi desde 1971, altura em que substituiu a libra malawiana a uma taxa de 2 kwacha = 1 libra. Divide-se em 100 tambala. (1 Euro = 227,27 kwachas do Malawi, em 08/11/2011)

Locais de interesse

O relevo varia entre as planícies do rio Shire, que origina-se no Lago Niassa e desagua no rio Zambezi, já em território moçambicano, e planaltos desde a fronteira ocidental com a Zâmbia às proximidades da margem ocidental do Lago Niassa. Uma cadeia montanhosa estende-se de norte ao centro-oeste do país, com elevações entre 1000 e 2000 metros, que correspondem às montanhas que seguem o Vale do Rift da África Oriental. Na porção sudeste do país, a leste do vale do rio Shire, ergue-se o maciço de Mulanje (também pertencente às cadeias marginais do Vale do Rift) com o pico Sapitwa que, com 3002 m. de altitude, é o ponto mais elevado do país.

Lago Niassa ou Lago Malawi é um dos Grandes Lagos Africanos e está localizado no Vale do Rift, entre o Malawi, a Tanzânia e Moçambique. Com uma orientação norte-sul, o lago tem 560 km de comprimento, 80 km de largura máxima e uma profundidade máxima de 700 m.É um lago único no mundo, com cerca de 400 espécies de ciclídeos (família de peixes de água doce) descritas endémicas (cerca de 30% de todos os ciclídeos conhecidos no mundo) e provavelmente muitas ainda por descrever. Estima-se que tenha uma idade entre um e dois milhões de anos. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registos. O Parque Nacional do Lago Malawi, no sul do Malawi, abrangendo a extremidade sul do lago, uma dúzia de ilhas, uma região de reserva florestal e uma zona aquática até 100m da costa foi inscrito pela UNESCO, em 1984, na lista dos locais que são Património da Humanidade.

Fauna: Para um país pequeno, o Malawi tem uma variedade de animais surpreendente. A sua situação geográfica permite-lhe ter animais das regiões central, sul e este de África. Muitos dos maiores animais podem ser encontrados na vida selvagem, parque e reservas. Liwonde National Park, é o lar de grandes manadas de elefantes e antílopes. Também se pode encontrar hipopótamos e crocodilos e mais raramente, rinocerontes. Os leões podem ser vistos em Nkhotakota Wildlife Reserve e as zebras podem ser vistas em Kasungu National Park.

Esquerda: Liwonde National Park Centro:Nkhotakota Wildwife Reserve Direita : Kansungu National Park

Chipoka: Chipoka é uma cidade situada no distrito de Salima Região Central, no Malawi. É um dos principais portos no Lago Malawi.

Chipoka: um dos principais portos no Lago Malawi
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12ª Etapa Kampala (Uganda) – Mbeya (Tanzânia)

12ª Etapa Kampala – Mbeya (Tanzânia)

 

E eis-nos chegados ao berço da Humanidade – Tanzânia”. Foi esta a primeira frase do grupo na sua habitual comunicação, agora que está cumprida a 12ª etapa PVTA.

Inicialmente colónia Alemã e depois colónia Britânica, só em 1964 surgiu como nação, pouco depois da independência da Tanganica e Zanzibar que se fundiram para criar a Tanzânia.

A Tanzânia é o lar de alguns dos mais antigos vestígios humanos, com fósseis dos primeiros seres humanos e com as pegadas mais antigas alguma vez conhecidas, tudo vestígios encontrados próximos da Garganta de Olduvai, no norte do país. Há milhões de anos, este local era ocupado por um grande lago, cujas margens foram cobertas com depósitos sucessivos de cinzas vulcânicas. Há 500 000 anos, a actividade sísmica produziu uma modificação da rede fluvial, drenando o lago e começando a erodir os sedimentos.

Com uma dimensão de 945 mil km2, comparável à dimensão da Nigéria, a Tanzânia possui o pico mais alto – Monte Kilimanjaro, o maior lago – Lago Vitória e o lago mais profundo de África – Lago Tanganica, conhecido também pelas suas espécies únicas de peixe. Este país possui também importantes parques de fauna silvestre, como a famosa Cratera Ngorongoro no Parque Nacional de Serengueti, a norte do território. As quedas da catarata de Kalambo, a sudoeste da Tanzânia e localizadas perto da extremidade sul do Lago Tanganica, são também um dos destinos turísticos deste país.

Esquerda: Monte Kilimanjaro Centro: Lago Vitória Direita: Lago Tanganica

Esta etapa podia ter tido consequências maiores para um dos Funners mas, felizmente, tudo acabou apenas com algumas escoriações. Bom, pelo menos bem para a EN porque para o felino… este ainda deve andar fugido por esta altura. Esta aventura é-nos relatada na 1ª pessoa, EN, que nos contou, na comunicação do grupo, todos os pormenores vividos em pleno Parque Nacional de Serengueti:

Parque Nacional de Serengueti

“Passar despercebida tem sido, até hoje, o meu lema e o que me tem poupado a algumas peripécias mas desta feita, o meu ‘disfarce’ ia-me saindo muito caro. Hoje, acordámos especialmente cedo pois queríamos chegar ao ponto de controlo antes do anoitecer. A Tanzânia é um país fabuloso mas tem uma fauna tão vasta que nos obriga a cuidados redobrados e, nestas circunstâncias, pedalar de dia é mais seguro. Bom, pelo menos assim pensava eu. Hoje, entrámos no Parque Nacional do Serengueti e às tantas dei por mim a pedalar no seio de um grupo de gazelas. Estavam ali mesmo ao meu lado e quase que lhes podia tocar. Poucos metros afastados, pedalava o resto do grupo comentando e fotografando o cenário em que me envolvera. No meio delas sentia-me mais ‘uma’, e como tal, protegida dos demais animais. De repente, as gazelas começaram a correr e eu vejo-me ultrapassada por todas elas, ficando para trás juntamente com uma cria que, muito assustada, não conseguia acompanhar a progenitora. Nisto olho para trás e avisto um leão em perseguição…”

Leão em perseguição…

“ Borrada de medo, pedalei cada vez mais rápido, enquanto o grupo gritava para eu me afastar da cria e dirigir-me para junto deles, só que não tive tempo e o leão, com uma sapatada na minha bicicleta, atirou-me violentamente ao chão. Ninguém toca na minha Specialized, muito menos daquela maneira! Ainda para mais, aquela sapatada, com aquelas garras teria, certamente, riscado o meu lindo quadro. Já sabem como são as mulheres quando se enfurecem e como lutam umas contras as outras, certo? Não sei como tive coragem mas em 3 tempos arrumei o gatinho mau. Primeiro puxei-lhe os cabelos, que é como quem diz, atirei as mãos à sua juba. Depois, com um violento pontapé na parte sensível do felino, consegui pô-lo a rugir mais fininho. E para rematar, não sei onde fui buscar forças, mas apliquei-lhe uma esquerda bem no meio do olho. Esticada no chão, e sem forças, vi o leão afastar-se com um andar meio manco, ao mesmo tempo que presenciei, ao longe, o reencontro da cria gazela com a sua progenitora. O grupo veio, de imediato, ao meu encontro ver se eu estava bem, mas aquela descarga brutal de adrenalina deixou-me prostrada e sem reacção. Contudo, estava bem fisicamente e acabara de fazer o que nunca imaginei ser capaz …”

Esquerda: “Gatinho mau”, depois do confronto com EN Direita: Reencontro cria gazela

O final desta etapa foi na cidade de Mbeya, localizada no sudoeste da Tanzânia. Mbeya está situada a uma altitude de 1.700 metros e estende-se através de um estreito vale montanhoso, cercado por uma bacia de altas montanhas. Esta cidade foi, por altura de 1920, uma cidade invadida pela corrida ao ouro, atraindo inúmeros forasteiros, agricultores e empresários para a área. À passagem deste posto de controlo era visível algum desgaste nos rostos dos nossos aventureiros, assim como era audível uma verdadeira sinfonia de orquestra desafinada, com todo aquele som produzido maioritariamente por material de má qualidade e a necessitar urgentemente de manutenção.

Mbeya – Final da 12ª Etapa

Passaram mais de 6 meses, e os nossos companheiros descobriram, nesta etapa, a dezena de milhar nos seus conta-quilómetros. A Tanzânia representa o 11º país percorrido nesta PVTA e a 12ª etapa, com uma distância de 1456,4Km. Deixou de acumulado, desde a saída dos Descobrimentos, 10913,8km nos conta-quilómetros.

Progressão ao fim da 12ª Etapa PVTA

O final está perto e o mais difícil já terá passado. Força amigos, estamos convosco!

Até breve!

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 Tanzânia

Demografia: Em 2006, a população estimada era de 38 329 000 habitantes, com uma taxa de crescimento prevista de 2 %. A distribuição da população é extremamente desigual, com uma densidade que varia de uma pessoa por quilómetro quadrado em regiões áridas. Mais de 80% da população é rural. Os Masai, um dos grupos étnicos africanos mais bem conhecidos internacionalmente, preservam ainda muitas das suas tradições culturais, e são o único grupo étnico autorizado a viajar, livremente, pelas fronteiras entre o Quénia e a Tanzânia.

Cultura: Na Tanzânia são faladas por volta de 100 línguas, a maioria delas da família Bantu. Após a independência, o governo reconheceu que isso representava um problema para a unidade nacional, e como resultado introduziu a língua suaíli em todas escolas primárias, para ampliar a sua utilização.

Economia: A Tanzânia é um dos países mais pobres do mundo. A economia depende, consideravelmente, da agricultura e das exportações.

Religião: 30% da população é seguidora do cristianismo, 35% são muçulmanos e 35% seguem religiões tradicionais africanas.

Capital: Cidade de Dodoma. Dar es Salaam é a capital comercial e, também, a cidade mais populosa.

Moeda: O xelim tanzaniano (TZS, sigla internacional) é a moeda da Tanzânia desde sua independência em 1964, quando substituiu a moeda colonial inglesa. Cada xelim divide-se em 100 sentis. (1 Euro = 2.254,79 Xelims da Tanzânia em 15/6/2011).

Locais de interesse

Parque Nacional de Serengueti é um parque nacional de grandes dimensões (cerca de 40.000km²), no norte da Tanzânia. Este Parque, Património Mundial da Unesco, é famoso pelas migrações anuais de gnus, zebras e gazelas que acontecem de Maio a Junho. No Parque vivem mais de 35 espécies de grandes mamíferos como leões, hipopótamos, elefantes, leopardos, rinocerontes, girafas, antílopes e búfalos. O parque também possui hienas, chitas, macacos, além de mais de 500 espécies de pássaros.

A Garganta de Olduvai constitui um dos lugares mais importantes no leste da África, no que diz respeito a sítios e arqueologia pré-histórica. Actualmente, o governo tanzaniano prefere denominar o sítio com o seu nome original masai, “Oldupai”, e é assim, também, que se encontra escrito nas indicações das estradas. O nome provém da abundância, nesta zona, da planta do mesmo nome, cuja principal característica é reter água no seu interior.,Quando este líquido escasseia, é mastigada por elefantes e pelas pessoas.

Garganta de Olduvai

Monte Kilimanjaro (Oldoinyo Oibor, que significa montanha branca em Masai, ou Kilima Njaro, montanha brilhante em kiswahili), localizado no norte da Tanzânia junto à fronteira com o Quénia, é o ponto mais alto de África com uma altitude de 5 891,8 metros. Este antigo vulcão, com o topo coberto de neve, ergue-se no meio de uma planície de savana, oferecendo um espectáculo único. O monte e as florestas circundantes, com uma área de 75 353 ha, possuem uma fauna rica, incluindo muitas espécies ameaçadas de extinção, e constituem um parque nacional que foi inscrito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1987, na lista dos locais que são Património da Humanidade.

Lago Vitória ou Victoria Nyanza (em língua suahili) é um dos Grandes Lagos Africanos, localizado num planalto elevado na parte ocidental do Grande Vale do Rift, na África oriental, e está sujeito a administração territorial pela Tanzânia, Uganda e Quénia. Com 68 870 km² de área (quase a mesma da Irlanda) é o maior lago do continente africano, o maior lago tropical no mundo e o segundo maior lago de água doce do mundo, em termos de área. É uma das nascentes do rio Nilo Branco.

Lago Tanganica ou Tanganhica (do seu nome em suaíli Tanganyika) é o segundo maior lago de África e é partilhado pela Tanzânia, República Democrática do Congo, Burundi e Zâmbia. Está localizado no braço ocidental do Grande Vale do Rift, a uma altitude de 782 m, estende-se por 673 km numa direcção aproximadamente norte-sul. É o lago mais longo do mundo. Tem uma largura média de 50 km e uma profundidade máxima de 1470 metros. Estima-se que este lago seja o segundo mais antigo e mais profundo do mundo. Para além de ser um excelente meio de comunicação, entre os países e povoações ribeirinhas, o Lago Tanganica é rico em peixes, sendo uma importante fonte de receita para os povos da região. Estima-se que cerca de 45 mil pessoas estejam directamente envolvidas nas pescarias, operando quase 800 centros de pesca. Pensa-se que mais de um milhão de pessoas dependam desta actividade. Devido à sua enorme profundidade, e localização tropical, as águas do lago não sofrem a viragem sazonal própria dos lagos das regiões frias e, como consequência, as suas águas profundas são consideradas “água fóssil” e são anóxicas (sem oxigénio).

Cratera de Ngorongoro, é uma das maiores atracções da Tanzânia. É também, considerada, a Arca de Noé da África Oriental por abrigar, no seu seio, a quase totalidade das espécies animais daquela região, integrados num ecossistema que ainda não foi afectado pela mão do homem. Observado do alto das suas falésias ou do fundo da sua vastíssima cratera, o Ngorongoro é um dos locais mais fascinantes de África. De facto, a cratera de Ngorongoro é um lugar muito bonito que abriga milhares de animais selvagens. Foi até chamada de “a oitava maravilha do mundo” por alguns naturalistas. A cratera fica a 2.236 metros acima do nível do mar e, é a maior caldeira intacta ou vulcão desmoronado do mundo. Mede mais de 19 quilómetros de diâmetro e tem uma superfície de 304 quilómetros quadrados.

Cratera de Ngorongoro

Catarata de Kalambo, no rio com o mesmo nome, é uma queda de água de 235m a sudeste do Lago Tanganica. Esta catarata é a segunda mais alta de África, logo após a catarata Tugela na África do Sul, com uma largura de cerca de 1km e uma profundidade de até 300m As suas águas desembocam no Lago Tanganica.

Cratera de Kalambo
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11ª Etapa Ed Dueim – Kampala (Uganda)

11ª Etapa Ed Dueim (Sudão) – Kampala (Uganda)

…o 10º país atravessado pelos aventureiros 4Fun, a caminho de Nampula…

 

Esquerda: Savana Africana Direita: Monte Stanley

Uganda, é um país localizado na montanhosa região dos grandes lagos africanos e, também é, o principal refúgio do gorila-das-montanhas. Este território, localizado no centro-leste do continente africano, é coberto por savanas e selvas equatoriais, possuindo um grande número de rios e lagos. Por ser uma região de relevo acidentado e vales profundos e extensos no centro e sul, a pluviosidade é abundante, por consequência da humidade das florestas equatoriais. Nas montanhas a oeste, dividindo a fronteira com a República Democrática do Congo, ergue-se um maciço montanhoso de vários picos nevados onde fica o monte mais alto do país, de seu nome Monte Stanley ou Monte Margherita, com 5.109 metros de altitude. A sudoeste, na divisão com o Rwanda e também com o Congo, existem, inclusive, algumas formações vulcânicas activas.

 

Esquerda: Savana Africana Direita: Gorila das Montanhas

Hoje, os nossos aventureiros puderam até dispensar um pouco mais de tempo na sua habitual comunicação, tendo sido a mesma partilhada pelo DN e pelo AAF…

“…o principal refúgio do gorila-das-montanhas. Esse filho da #%&#$ … de macaco que grande transtorno nos fez quando roubou a marmita dos pastéis de nata do amigo AAF. Bom, a parte positiva é que o grupo passou a perceber o que continha aquela caixa que o AAF não larga desde Portugal, nem por nada! Para terem uma ideia, quando paramos as bicicletas em algum lugar ou quando alguém as guarda a nosso pedido, a bendita marmita acompanha sempre o AAF, o que até era já motivo de chacota entre os 4Funners, pois já havia quem dissesse que dentro da caixa havia revistas e lingerie feminina…” DN

“Estou desolado com o sucedido. Não sei nem como vou conseguir continuar a viagem. Trago desde Lisboa a marmita cheia de pastéis de nata e tem sido este o meu alento para conseguir chegar a Moçambique. Qual vai ser a minha “cenoura” agora?” AAF

“Foi hilariante. Entrámos numa zona de floresta. Há muito que nos aproximávamos lentamente daquela mancha florestal, ao mesmo tempo que íamos ouvindo cada vez mais alto o guinchar da macacada. Eram horas de comer. Parámos na primeira sombra que encontrámos, o que se veio a revelar uma péssima decisão. Sentimo-nos observados o tempo todo. Entre assobios, roncos e guinchos, víamo-los agitados nas árvores. Após alguns instantes, o AAF retira do alforge a caixa mistério, como lhe chamávamos entre nós na brincadeira, e pousa-a em cima do mesmo tronco que usou para encostar a bicicleta, enquanto visualmente lhe passava revista. Nisto…” DN

“…um filho da #%&#$ dum macaco, desce velozmente de um tronco e leva a marmita para cima de uma outra árvore. Eu…” AAF

AAF é ‘fitato’ pelo macaco…

“…e a diversão começou. Primeiro, com um role de asneirada e em seguida com um espectáculo acrobático, pois contra tudo o que seria de esperar, o AAF desatou a trepar pela árvore acima! Quanta agilidade por parte do AAF, estamos todos surpreendidos! Bom, a perseguição foi o máximo. O AAF ‘voava’ atrás do macaco, saltando de árvore em árvore, perseguindo o macaco com a sua marmita nos dentes. Enquanto isso, um outro macaco vasculha os sacos dos alforges. Num dos saltos mais arrojados, o AAF deve ter revisto mentalmente os filmes do Tarzan e atirou-se a uma espécie de liana para balouçar mas a coisa…” DN

Esquerda: Perseguição de AAF ao macaco Direita: Macaco vasculha alforges de AAF

“…correu mal porque a suposta liana não era mais do que o rabo do cabr#$ do  macaco “assaltante”! Que grande tralho que eu dei. Caímos os dois redondos no chão. Eu primeiro, claro! Logo de seguida, levo com o macaco em cima e quando estou a tentar livrar-me dele, cai em cima de ambos a marmita, abrindo-se e espalhando os poucos pastéis de nada que me sobravam. Foi então que fiz o que pude! Atirei-me a um pastel agarrando-o com unhas e dentes, enquanto observava, sem nada conseguir fazer, todos os outros macacos que entretanto tinham descido do cimo das árvores, degustando-se com os restantes.” AAF

“Triste, o AAF arrumou seu único pastel de nata na sua amolgada marmita e prendeu-a de novo no alforge da bicicleta. Estava desolado com o sucedido. Montou a sua bicicleta e arrancou sozinho. Chamámo-lo mas ele nem olhou para trás. Arrancámos todos de seguida indo ter com ele. Tirando este incidente, sem consequências de maior, estamos todos de óptima saúde e de moral bem alta. Bom, agora… todos menos um, mas isso passa-lhe. De resto, o Uganda é um país lindíssimo! Um país alegre, com um clima maravilhoso, nesta altura do ano, e cheio de gente simpática que sorri à nossa passagem. Ah, e tem lagos e muita água para tomarmos banho, coisa que não fazíamos há já alguns dias o que, diga-se, funcionava até como repelente de insectos.” DN

Uganda, a pérola da África, situado no coração geográfico do continente Africano, um país com um cenário natural fantástico e um rico mosaico de tribos e culturas. Os nossos aventureiros já elegeram este país como o mais belo, seguro, simpático e atraente de África, pelo menos até agora… tirando os macacos…

Por agora, o grupo permanece na capital do país, Kampala, aproveitando para comprar alguns alimentos e alguns bens mais necessários. Fala-se, inclusive, da possibilidade de permanecer um ou dois dias nesta cidade, aproveitando o conforto do Apoka Lodge (http://www.travellerspoint.com/accommodation/pt/43638-Apoka-Lodge/) para descansar e conhecer um pouco mais a cidade e seu povo. Desde Ed Dueim, etapa anterior no Sudão, foram percorridos 2.236,4km sem quaisquer incidentes, para além daquele já relatado.

Capital: Kampala

Desde o arranque da PVTA, foram já relatados, perdão, pedalados dizia eu, 9.457,4Km em 10 países distintos, estando os nossos amigos a somente 221,5km da entrada na Tanzânia.

Progressão ao fim da 11ª Etapa PVTA

Divirtam-se e desfrutem que aí… “tá-se” melhor do que aqui. Ai “tá-se… tá-se”!

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Uganda

Demografia: Uganda tem cerca de 24 milhões de habitantes, vivendo principalmente à beira dos Grandes Lagos Africanos. Existem 39 dialectos africanos no Uganda, sendo o mais falado, por cerca de 16% da população, o “ganda”. Este grupo, designado por buganda, é o principal grupo étnico deste país. A língua oficial é o inglês.

Grandes Lagos Africanos: Conjunto de lagos de origem tectónica, localizados na África Oriental, que incluem alguns dos lagos mais profundos do mundo. A maior parte destes lagos foi formada há cerca de 35 milhões de anos no Vale do Rift Ocidental – complexo de falhas tectónicas criada com a separação das placas tectónicas africana e arábica. O Uganda abriga o segundo maior lado do mundo, Victoria, fonte do maior rio do mundo, o rio Nilo.

Religião: Uganda é um país maioritariamente cristão. De acordo com os censos realizados em 2002, a população divide-se ao nível religioso da seguinte forma: 83,9% da população segue a doutrina cristã (42% são Protestantes e 41,9% são Católicos), 12,1% são Muçulmanos e a restante população ou não tem religião ou pertence a uma outra minoria.

Política: A república do Uganda, assim é oficialmente designada, trata-se de uma república democrática, segundo o qual o seu presidente é simultaneamente chefe de estado e chefe de governo. O poder executivo é exercido pelo governo e o poder legislativo pela Assembleia Nacional.

Economia: Uganda tem importantes recursos naturais, incluindo, solos férteis, chuvas regulares e razoáveis depósitos minerais de cobre e cobalto. A agricultura é o principal sector da economia, empregando cerca de 80% da força de trabalho. O café é o principal produto agrícola exportado. O Uganda tem uma das economias de África com o crescimento mais rápido, desde 1986. Este país tem registado uma expansão das infra-estruturas com um correspondente aumento também do turismo.

Clima: Tropical. Uganda tem um clima temperado, com temperaturas em torno dos 16-26ºC (Abril-Novembro) e mais de 30ºC nas estações quentes (Dezembro-Março).

Capital: Kampala, é também a cidade mais populosa

Língua Oficial: Inglês

Presidente: Yoweri Museveni (1986)

Área Total: 241 mil km2

População: 31 milhões de habitantes, dados de 2008

Moeda: Xelim Ugandês (UGX) 1€ – 3328,83 UGX

Fuso Horário: GMT + 3h (Sem hora de Verão de momento)

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10ª Etapa – Am Djéména – Ed Dueim (Sudão)

10ª Etapa Am Djéména (Chade) – Ed Dueim (Sudão)

“Chegámos, nesta etapa, ao maior país de África – Sudão. Pedalar nesta grandiosidade não é regozijo para nós, uma vez que estamos a percorrer o país mais triste que já se nos atravessou à frente. Esta “tristeza” é sentida, essencialmente, no contacto com as gentes locais, uma população em extrema pobreza e muito carenciada. Os 46 anos de conflitos entre o norte e o sul do país, originam guerras civis e um número crescente de refugiados da zona Oeste do Sudão – conflito de Darfur que em nada contribuem para que a situação se altere. Apenas a paisagem das savanas e as florestas tropicais que percorremos, nos ajudam a esquecer a pobreza a que assistimos. As savanas e o infeliz acontecimento que atingiu o amigo PL mas que, felizmente, não teve consequências de maior”, conforme nos informou NC em mais uma comunicação do grupo no final desta etapa, mas antes uma breve explicação:

À passagem de uma aldeia no Sudão

O rio Nilo é o principal rio do país e é fonte de energia elétrica e de irrigação para as plantações de algodão, principal produto de exportação, ao lado da goma-arábica (espécie de resina extraída da acácia e que é usada como espessante e estabilizante para vários alimentos, na manufactura de colas e como espessante de tintas de escrever).

“Como é possível colidir na traseira de uma pickup no meio do nada? E logo numa pickup que transporta bidões de goma-arábica!?! No início assustámo-nos bastante, pois após o embate deixámos de ver o PL. Corremos todos em direcção à pickup e pudemos verificar que, embora combalido, o PL estava aparentemente bem. Os muitos quilos de entremeada arremessados contra os ressequidos bidões de plástico contendo aquela resina, rebentaram e espalharam toda aquela espécie de cola por cima dele. Cuspindo goma e escorregando ao tentar agarrar-se a tudo o que podia para sair do carro, o PL lá ía tentando explicar como tudo sucedeu…”, continuou BC.

Embate de PL em Pickup de transporte de goma-arábicaPickup de transporte de goma-arábica

“Cusp… Pff… Rrrrr…. Pff! … sei lá, acho que me distraí! Rrrrrr…. Estava a verificar se (Pff…) desculpem mas isto parece cola… a velocidade do conta-quilómetros batia certa com a do GPS… … Aaarccc… Puf! … e entranha-se na garganta… ao mesmo tempo que tentava perceber porquê é que o frequencimetro (polar) deixara de registar a pulsação e enquanto… Cusp! … escrevia um SMS à minha mulher a dizer que finalmente tinha acabado de substituir o calço traseiro que estava totalmente gasto. Acho que só não deu tempo para olhar para frente…”, diz-nos PL.

 Apesar dos incidentes pelos quais têm passado, tudo se tem resolvido e os nossos companheiros avançam com determinação a caminho de Nampula.

 Nesta 10ª Etapa, foram percorridos 1354,1 km, o que faz desta a mais longa etapa percorrida até ao momento na PVTA. Os nossos companheiros percorreram a A43 e encontram-se numa das maiores cidades ao longo do Nilo Branco – Ed Dueim, contando já com 7221 km.

Cidade de Ed Dueim
Ponte sobre Nilo Branco em Ed Dueim
Progressão ao fim da 10ª Etapa PVTA

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Sudão

Capital – Cartum: Cartum é a capital do Sudão e a segunda maior cidade do país. Possui um clima quente e árido com precipitação significativa apenas nos meses de Julho e Agosto. Baseado na média anual das temperaturas Cartum é, possivelmente, a mais quente das grandes cidades do planeta. A temperatura pode ultrapassar os 47 °C no meio do verão.

Abriga um porto fluvial na confluência do Nilo Azul com o Nilo Branco, na zona leste-central do país. Possui linhas ferroviárias para Port Sudan (principal porto marítimo do país, às margens do Mar Vermelho, situado a 675 km da Capital) e também para o Egipto. O tráfico pelos rios Nilo Azul e Branco também é muito importante e a cidade dispõe, também, de um Aeroporto Internacional. Cartum tem três universidades: a Universidade de Cartum, a Universidade Nilayin e a Universidade Sudanesa de Ciência e Tecnologia.

Cartum – Capital
Panorâmica de Cartum

Rio Nilo: O rio Nilo é um grande rio do nordeste do continente africano que nasce a sul da linha do Equador e desagua no Mar Mediterrâneo, cruzando 9 países. É formado pela confluência de três outros rios, o Nilo Branco (Bahr-el-Abiad), o Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) e o rio Atbara. O Nilo Azul nasce no Lago Tana (Etiópia), confluindo com o Nilo Branco em Cartum, capital do Sudão.

História: Entre 1820 e 1822, o atual território do Sudão é conquistado e unificado pelo Egipto e posteriormente entra na esfera de influência do Reino Unido. Em 1881, surge uma revolta nacionalista chefiada por Mahdi que expulsou os ingleses em 1885. Mahdi morre logo depois e os britânicos retomam o Sudão em 1898. No ano seguinte, a Nação é submetida ao domínio egípcio-britânico, obtendo autonomia limitada em 1953 e a independência total em 1956.

O Sudão é hoje o maior país da África e está em guerra civil há 46 anos. O conflito entre o governo muçulmano e guerrilheiros não-muçulmanos, baseados no sul do território, revela as realidades culturais opostas da Nação. A introdução da Sharia, a lei islâmica, causou a fuga de mais de 350 mil sudaneses para países vizinhos.

Geografia: O Sudão está situado no norte do continente africano, tendo o mar Vermelho como costa a nordeste (853 km). Tem uma área total de 2 505 815 km² sendo, desta forma, o maior país africano e o décimo maior do mundo.  Os desertos da Núbia e da Líbia têm o clima árido e predominam no norte, enquanto que no sul são as savanas e florestas tropicais que tomam conta da paisagem.

Demografia: O censo de 1993, no Sudão, informava que a população, na altura, era de 25 milhões de habitantes. Desde então, não foi feito nenhum censo fiável devido à guerra civil. Contudo, estima-se que em 2007 a população seria de, aproximadamente, 40 milhões. É um imenso país que manifesta influências étnicas e culturais dos países vizinhos. No Norte, as populações são árabes e muçulmanas. No Sul, predominam africanos negros, alguns cristãos mas, na sua maioria, pagãos que conservam os seus dialectos tribais. O Sudão é predominantemente muçulmano; aproximadamente 75% da população está ligada ao Islão, enquanto que entre 15-20% veneram deuses indígenas, e 5% é cristã (principalmente no sul do país). De acordo com a constituição de 2005 as línguas oficiais do país são o árabe e o inglês.

Política: O Sudão é uma república autoritária onde todo o poder está nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir; ele e o seu partido estão no poder desde o golpe militar de 30 de Junho de 1989. Desde 2003 que a região de Darfur assiste ao extermínio da população negra, por parte da árabe; este é conhecido como o Conflito de Darfur.

Conflito de Darfur: O Sudão tem uma história de conflitos entre o sul e o norte do país, que resultaram na primeira (1955-1972) e na segunda (1983-2005) guerras civis sudanesas. A combinação de décadas de secas, desertificação e superpopulação estão entre as causas do conflito de Darfur, no oeste do Sudão, onde os nómadas árabes, na procura por água, levavam os seus rebanhos para o sul, uma terra ocupada predominantemente por comunidades agrárias de negros africanos. Hoje, o conflito ou genocídio de Darfur iniciado oficialmente em Fevereiro de 2003, é um conflito armado que opõe, principalmente, os Janjawid (milícias governamentais de língua árabe e religião muçulmana) e os povos não-árabes da área. Trata-se de um conflito étnico-cultural iniciado por motivos políticos (abandono da população por parte do governo) e que ganhou contornos raciais ao longo dos últimos anos. A 9 de Setembro de 2004, o Secretário de Estado norte-americano Colin Powell denominou o conflito em Darfur de genocídio, declarando-a a pior crise humanitária do século XXI. Este conflito tem sido responsável por milhares de mortes e por milhares de refugiados.

Economia: As recentes políticas financeiras e investimento em novas infra-estruturas não evitam que o Sudão continue a ter graves problemas económicos. Apesar de todos os desenvolvimentos económicos mais recentes, derivados da produção petrolífera, a agricultura continua a ser o sector económico mais importante do Sudão pois emprega 80% da força de trabalho e contribui com 39% para o PIB. Este aparente bem-estar económico é quase irrelevante; mais de 50% da população vive abaixo da linha de pobreza.

A moeda do Sudão é o Dinar sudanês(SDD). Em Abril, 1€ equivalia, aproximadamente, a 388,12 SDD.


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9ª Etapa – Kousséri – Am Djéména (Chade)

9ª Etapa – Kousséri (Camarões) – Am Djéména (Chade)

… a travessia dos Camarões foi tão rápida que quase não deu tempo para que a tinta na pena do escritor secasse…

Paisagem do Chade; Arco de Aloba; Labirinto de Kecheli

O país que se segue nesta travessia até Moçambique é o Chade , também chamado de Tchade ou Tchad. Devido à distância ao mar e ao clima predominantemente desértico no país, o Chade é muitas vezes referido como o “coração morto da África“. O Lago Chade, do qual o país obteve seu nome, é uma das regiões mais húmidas do continente africano e já foi um dos maiores lagos de água doce do planeta. É o resto de um imenso lago que já ocupou mais de 330 000 quilómetros quadrados há mais de setecentos mil anos. Por causa das alterações climáticas e da pressão humana, poderá desaparecer dentro de 20 anos causando uma verdadeira catástrofe humanitária para 30 milhões de pessoas no Chade, Camarões, Níger e Nigéria, a quem fornece água. O lago já recuou 90 por cento dos 25 mil quilómetros quadrados em 1963 passando para  menos de 1500 quilómetros quadrados em 2001. Os 30 milhões de pessoas que vivem na região, estão já a competir pela água e o agravamento da situação poderá forçá-las a migrar.

 

Os nossos companheiros percorrem agora este novo país, na 9ª Etapa PVTA. A viagem tem decorrido sem problemas mas foi no fim desta etapa que se viveu a situação mais complicada, conforme nos relata MRG:

“A entrada no Chade foi estranhamente rápida, sem complicações nem tentativas de suborno por parte das autoridades. Imediatamente após a fronteira, passámos perto de N’Djamena, capital do Chade e também a cidade mais populosa do país. Enquanto o norte do país é caracterizado por uma zona mais desértica, o centro e o sul caracterizam-se pela transição para uma área de savana e é nestas terras mais férteis que temos vindo a pedalar, num terreno sem grandes dificuldades e com bonitas paisagens. Embora a maioria da etapa tenha sido fácil de percorrer, a zona final foi bem diferente. Ao viajar a sul do lago Chade, pensámos que nos tínhamos livrado das margens húmidas e muitas vezes pantanosas que caracterizam estas regiões mas não…  esta etapa terminou precisamente nas imediações de um outro lago, o lago Fitri. Embora de menores dimensões que o lago Chade, este lago acabou por nos causar enormes dificuldades. Quando demos por nós, estávamos num pântano e muitos de nós estiveram horas para conseguir percorrer à mão um troço de 2km. Sujos e exaustos, o grupo viveu ainda uma situação mais embaraçosa quando a SCD se vê, repentinamente, envolvida numa espécie de rede utilizada pelos Bilala (povo muçulmano que vive perto do lago Fitri), para capturar peixe. Foi mesmo com a ajuda de um Bilala, que ao nos ver ao longe se dirigiu para nós, que a SCD se desenvencilhou da rede. Os seus nervosos movimentos numa tentativa de se libertar, faziam com que cada vez ficasse mais enleada na rede. Mais uma vez a hospitalidade de África sobressaiu. Num francês meio arranhado, o Bilala avisou-nos do perigo de passar a noite perto do lago, pois os animais costumam utilizar a noite para beber água nas suas margens e assim convidou-nos para o seio da sua tribo onde fomos muito bem recebidos e onde vamos agora passar a noite.”.

  Lago Fitri

Esta etapa teve 317,9 Km e os nossos heróis encontram-se a meio do caminho que percorre N’Djamena – Oum Hadjer, sensivelmente a 300 Km depois de terem entrado no Chade.

N’Djamena – Capital do Chade

No mapa com a progressão dos Just4Fun é visível que o grupo está a meio do seu objectivo, tendo já percorrido 5866,9 Km, desde o Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa.

Continuação de boas pedaladas Amigos…

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Chade

Demografia: Calcula-se que dos 10 milhões de habitantes do Chade 25,8% vivem em áreas urbanas e 74,8% em rurais. A população do país é jovem e a esperança média de vida é de apenas 47,2 anos.

Desde 2003 que milhares de refugiados sudaneses têm-se deslocado para o leste do Chade, fugindo da região de Darfur (região no extremo oeste do Sudão). Este acontecimento tem gerado tensões crescentes entre as comunidades da região.

A poligamia é comum no país e mais de 39% de mulheres vivem nesse tipo de união. Ela é apoiada por lei, que permite automaticamente a poligamia, exceto quando as cônjuges especifiquem que tal será inaceitável no casamento.

Apesar da violência contra mulheres ser proibida, a violência doméstica é comum. A mutilação genital feminina é também proibida, mas a prática está espalhada e profundamente enraizada na tradição: 45% das mulheres do Chade submetem-se e este ao procedimento.

O país abriga mais de duzentas etnias.  As línguas oficiais do país são o francês e o árabe. Porém, mais de cem idiomas e dialetos são falados pelo país.

Religião: O Chade é um país religiosamente diverso. O censo de 1993 mostrou que 54% dos chadianos eram muçulmanos, 20% católicos romanos, 14% protestantes, 10% animistas e 3% ateus.

Política: A constituição estabelece um forte poder executivo encabeçado pelo presidente Idriss Déby, que domina o sistema político. O presidente tem o poder de nomear o primeiro-ministro e exerce uma influência considerável sobre a nomeação de juízes, generais, funcionários provinciais e chefes de empresas. O presidente é eleito por meio do voto direto e popular para um mandato de cinco anos; em 2005 o tempo de mandato foi abolido na constituição. Desta forma foi, e ainda é, permitido ao presidente permanecer no poder por mais de cinco anos.

No Chade a corrupção abrange todos os níveis, tendo sido considerado, inclusive, como um dos países mais corruptos do mundo.

Economia: O Índice de Desenvolvimento Humano da ONU coloca o Chade como o sétimo país mais pobre do mundo, já que 80% da população vive abaixo da linha de pobreza,  sobrevivendo da agricultura de subsistência. Antes do desenvolvimento da indústria petrolífera, quem dominava o mercado de trabalho, era a indústria do algodão que representava mais de 80% dos lucros das exportações. A produção de petróleo começou em 2003 com a realização de um oleoduto (financiado em parte pelo Banco Mundial) que une milhares de jazidas da região sul a terminais da costa atlântica, nos Camarões. Como condição à sua assistência, o Banco Mundial insistiu que 80% dos investimentos de petróleo foram gastos em projetos de desenvolvimento humano.

A rede de transportes ainda é limitada, já que não pode ser utilizada durante vários meses do ano. Sem nenhuma ferrovia, o Chade depende, fortemente, do sistema ferroviário dos Camarões para o transporte das suas exportações e importações, até e desde o porto de Duala – maior cidade dos Camarões e um porto no Golfo da Guiné.

Existe um aeroporto internacional, localizado na capital, que oferece voos diretos regulares a Paris e a várias cidades africanas.

Geografia: O Emi Koussi, vulcão inativo no monte Tibesti, atinge 3 415 metros de altitude sendo o ponto mais alto do país.

Os principais rios do Chade são o Logone, o Chari e seus afluentes que percorrem savanas desde o sudeste do lago Chade.

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8ª Etapa – Maiduguri – Kousséri (Camarões)

8ª Etapa – Maiduguri (Nigéria) – Kousséri (Camarões)

O grupo Just4Fun segue embalado a caminho de Nampula, encontrando-se, agora, num novo país – República dos Camarões. Nesta 8ª Etapa os nossos aventureiros deixaram para trás a Nigéria e atravessaram a norte os Camarões numa das mais curtas etapas da PVTA, etapa essa, com apenas 238,5km e que terminou na cidade de Kousséri.

Maison MusgumKousseri

Os aventureiros atravessaram uma zona quente e árida dos Camarões. Sabiam que tinham uma curta etapa pela frente, pelo que aproveitaram para visitar uma dos mais espetaculares parques nacionais de África, o Parque Nacional Waza, onde habita uma grande reserva de aves. Foi neste parque, perto da cidade de Kousséri, que o amigo JP teve mais uma avaria mecânica na sua bicicleta, conforma nos relata:

Parque Nacional Waza

“Apesar de já há algum tempo vir a sentir mais dificuldade na pedalada acompanhada com alguns barulhos poucos aconselháveis da transmissão, a bicicleta resolveu “parar”… Ou melhor, quem resolveu parar fui eu, antes que partisse qualquer coisa, dado o desviador traseiro estar completamente voltado para trás. Depois de várias tentativas infrutíferas para que voltasse a trabalhar na sua posição normal, pois apesar de estarem a entrar as mudanças, a roda rodar livre e não haver nada à vista que justificasse, até mesmo depois de retirada a roda…. estava a entrar em desespero por não conseguir descobrir o porquê da situação. Eis que, os meus dedos passaram pelos roletes de desviador… Um deles, mudado há cerca de 2 semanas por se encontrar totalmente desgastado, estava normal. O outro… que não apresentava sinais de desgaste acentuado e até aqui trabalhou sempre na perfeição, resolveu literalmente gripar. Ou seja, bloqueou por completo. Nem mesmo com esforço o conseguia fazer rodar! Estava descoberta a avaria. Agora havia que conseguir ultrapassá-la! Primeiro ainda injetei umas gotas de óleo para as esferas que ficaram visíveis mas o efeito foi quase nulo, aquilo quase não mexia. Desmontei o rolete e ao apertá-lo novamente, mal ajustava o parafuso, prendia de novo. Assim, a tática foi manter o parafuso apenas “encostado” e sem qualquer tipo de pressão. O perigo agora estava no parafuso não se aguentar e cair, fazendo com que o rolete…”

“O engraçado, foi que toda esta operação do JP, foi  seguida por um grupo de hienas que descansavam à sombra de uma árvore e começaram por assistir impávidas e serenas às suas movimentações mas instantes depois, dirigiram-se para perto dele. Nesse instante ficámos algo apreensivos pois não tínhamos como sair dali, uma vez que a bicicleta do JP não andava mas para nosso espanto começámos a ouvir gargalhadas, risos e mais gargalhadas… as hienas assistiam agora à tentativa do JP em reparar a sua bicicleta. Contagiados pelo som característico destes animais, o grupo acabou todo numa gargalhada uníssona, enquanto o JP terminou a reparação.” SD

Hiena

De boa saúde e com boa disposição, conforme nos relatou o SD ao chegar a o final desta etapa, o grupo totaliza agora 5549km percorridos, desde o início da PVTA. Os cerca de cem quilómetros previstos para a travessia dos Camarões estão praticamente concluídos e os nossos amigos pensam agora na entrada em um novo país – República do Chad.

Até breve amigos.

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República dos Camarões


 História: Em 1472, o navegador e explorador português Fernão do Pó, ancorou as suas caravelas no estuário do rio Wouri e ao notar uma abundância de lagostas e camarões neste rio, nomeou-o Rio dos Camarões (rivière des crevettes). Daí veio o nome do país e, consequentemente, o nome do ponto mais alto do Oeste de África, situado bem sobre as nossas cabeças a 4095 metros de altitude. A palavra portuguesa Camarões seria transformada em Camarones pelos espanhóis, em Kamerun pelos alemães e, The Cameroons pelos ingleses e Cameroun pelos franceses.

Apesar da chegada dos portugueses à costa dos Camarões no século XV, a malária impediu os europeus de se instalarem e conquistarem os territórios do interior até ao final da década de 1870, quando grandes quantidades de quinino (pó branco, inodoro e de sabor amargo, é uma substância utilizada no tratamento de malária) se tornaram disponíveis.

O domínio germânico, durou até à I Guerra Mundial, época em que a comunidade internacional outorgou os Camarões ao poder repartido entre a França e a Inglaterra. A nação, que já de si reunia 280 grupos etnolinguísticos dentro das mesmas fronteiras, fracturou-se; o noroeste e o sudoeste foram cultural e linguisticamente influenciados pelos britânicos enquanto as restantes regiões, em clara maioria, seguiram a linha francófona. Após a independência, em 1960, os Camarões ficaram divididos pela língua até à reunificação final em 1972.

A democracia ainda é um conceito estranho nos Camarões. Em 50 anos de independência, a nação teve apenas dois presidentes – Wily Ahidjo, de 1960 até 1982, e Paul Biya, de 82 até hoje. A fotografia do chefe de Estado está espalhada por cafés e mercearias;  Biya aparece com um aspecto jovial, ostentando um bigode farto e um olhar benévolo. “As fotografias têm mais de 20 anos. Ele agora está tão velho que quando aparece na televisão é filmado de longe para não mostrar a sua debilidade”, diz a população.

Geografia: O terreno é variado, compreendendo uma planície costeira a sul, e uma outra planície a norte, um planalto na zona central, e uma zona montanhosa no centro-oeste: o maciço de Adamaoua. Junto à costa, ergue-se o Monte Fako, ou Monte Camarões, que atinge 4.095 m de altitude, e é um dos mais altos picos de África. O Monte Fako é o vulcão mais ativo do oeste africano, cuja última erupção foi em 1999-2000. Situa-se na zona costeira dos Camarões, a cerca de 230 km a oeste da cidade capital de Yaoundé, na costa ocidental da África.

Monte Fako ou Monte Camarões

As maiores cidades são a capital, Yaoundé, situada no planalto central, e Doula, no litoral. O clima é tão variado como o terreno, e vai desde tropical ao longo da costa até ao semi-árido e quente no norte.

Capital Yaoundé

Demografia: O país possui uma população estimada de 19 milhões de pessoas com 40,9% dos habitantes com idade entre os 0 e os 14 anos, 55,9% possuem uma idade entre os 15 os 64 e somente 3,3% da população tem mais de 65 anos. Estima-se que 67,9% dos habitantes saibam ler e escrever (77% dos homens e 59,8% das mulheres).

O Francês e o Inglês são as línguas oficiais, existindo ainda outros 24 dialetos africanos.

Religião: O Cristianismo domina com 56,58% da população, seguido do Muçulmano.

Política: O país dos Camarões é uma república presidencialista (sistema de governo no qual o presidente da república é chefe de governo e chefe de Estado), com uma divisão administrativa em 10 províncias, sendo o chefe de Estado e de governo o presidente Paul Biya.

Economia: Devido às suas modestas reservas de petróleo e às condições favoráveis à agricultura, os Camarões têm uma renda per capita (indicador que ajuda a saber o grau de desenvolvimento económico de um país ou região) das melhores entre os países da África Subsariana. Porém a queda dos seus principais produtos exportados – petróleo, cacau, café e algodão – em meados da década de 1980 somados a uma desvalorização da moeda resultaram numa década de recessão económica.

A economia local é movida pela ajuda externa, uma grande variedade de empreendimentos agrícolas, bem como de petróleo e produção de madeira. O turismo é limitado  e dividido entre aqueles que se aventuram em desfrutar das zonas de praia perto de Kribi, na capital Yaoundé e a interessante e abundante vida selvagem dos parques nacionais e, especialmente, os elefantes encontrados no Waza National Park, fundado em 1934.

A moeda dos Camarões é o Franco CFA (1 euro = 655 F CFA).

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7ª Etapa – Zinder – Maiduguri (Nigéria)

7ª Etapa – Zínder (Níger) –Maiduguri (Nigéria)

Os aventureiros Just4Fun seguem agora a sua aventura por terras nigerianas, naquele que é o território com mais população negra do mundo. O final desta longa etapa de 679.6 kms, situa-se no nordeste deste país, no estado de Borno, um dos 36 estados que constituem a República Federal da Nigéria, mais propriamente, na cidade de Maiduguri.

Maiduguri

Esta etapa foi toda ela percorrida na zona norte da Nigéria onde o grupo apanhou, pela primeira vez, vegetação ao estilo da savana africana.

Savana

Eis o relato pormenorizado de um aventureiro que nos descreve as peripécias vividas nesta etapa.

“O calor verificado na travessia do Sahara pouco abrandou, pois ainda se faz sentir aqui a sua influência. Foi uma etapa muito dura, com muitos quilómetros mas o estímulo de estarmos a deixar para trás o maior deserto do mundo ajudou-nos a superar as dificuldades sentidas. A entrada na Nigéria obrigou-nos a despender 2 dias, pois o grupo recusou-se a dar dinheiro às autoridades quando estas indicaram que determinadas bicicletas não estavam autorizadas a entrar no país. Estudámos a lição e sabemos como são as práticas de corrupção neste país e recusámo-nos a pactuar com elas. Eram 10:20 da manhã, hora local, quando deixámos o Níger e entrámos em terra de ninguém. Quinze minutos depois apresentámo-nos junto de uma palhota com os passaportes na mão para entrar na Nigéria. A falta de simpatia dos agentes foi acompanhada de gestos mais ou menos bruscos que apontavam para uma das bicicletas do grupo. Com um misto de espanto e indignação no rosto, o guarda apontava para a bicicleta do FF por esta ser diferente das demais, uma vez que não possui as 2 pernas de suspensão dianteira como acontece nas bicicletas normais. Após algumas trocas de gestos, para nos fazermos entender, percebemos que o agente queria 2200 Nairas (moeda local) para fechar os olhos à situação, valor que corresponde a cerca de 10€. Achámos todos um abuso, pois o valor do “suborno” excedia largamente o valor da bicicleta do FF. Recusámos! Ao fim de algum tempo, o agente dirigiu-se ao grupo e pediu 1100 Nairas mais dois cigarros. O grupo continuou a recusar a proposta (os cigarros ainda vá que não vá, agora os 5€ pela bicicleta…) e o agente voltou a recolher-se na palhota e não mais se dirigiu ao grupo até cerca das 20 horas, altura em que chegou um jipe militar e o levou encerrando, assim, o posto fronteiriço.

Palhota na fronteira Nigeriana e Jipe no posto fronteiriço

Passámos a noite junto à fronteira, sem os vistos necessários para entrar no país. Tudo por causa de uma bicicleta ou lá como lhe queiram chamar. Não acreditamos nem compreendemos que exista qualquer impedimento à entrada de Lefty’s naquele país. Se o critério é qualidade, então só 3 bicicletas estariam em condições para entrar! Pensámos na melhor maneira de dar a volta à situação e pusémos mãos à obrar com a sugestão do AAF. Nessa mesma noite, deslocámo-nos à savana e com a ajuda do canivete multifunções do AAF cortámos uma cana. Com paciência e muito engenho, o AAF talhou a cana dando a forma necessária para que esta se adaptasse à suspensão da bicicleta do FF, fazendo esta parecer uma bicicleta ‘normal’…

Preocupação com FF e Detalhe da sua Lefty

Pela manhã, todos estavam a postos mas não havia meio do guarda chegar, o que aumentou ainda mais o nervosismo dos nossos companheiros. Foi perto da hora do almoço que finalmente apareceu um jipe militar de onde saiu um homem de uniforme com um saco na mão. Assim que saiu do carro, entrou na palhota e tardou em sair.  Com tudo isto, eram horas de almoço e o guarda devia estar a almoçar. Havia que esperar, para desespero de todos. Ao fim de algum tempo, o homem saiu e sentou-se numa cadeira. Estava pronto para fazer a sesta, ignorando por completo o grupo. Nisto, os 22 elementos combinam andar à volta da palhota em círculos, cada vez mais rápido, fazendo com isso barulho e muito pó. Talvez intimidado pela situação ou, simplesmente, para se ver livre dos nossos aventureiros e fazer uma sesta tranquila, o homem levanta-se e, num gesto, manda parar aquele carrossel carimbando, em seguida, todos os passaportes sem verificar seja o que for nas bicicletas nem tão pouco exigir dinheiro.

Finalmente livres! Assim que passámos a fronteira acelerámos o ritmo. Queríamos recuperar tempo e queríamos sentir de novo a liberdade, diz o FF que com o “engenho” do AAF finalmente sente o que é pedalar numa bicicleta “completa” e acrescenta que, chegando a Nampula, se irá livrar dela…”

Com 679.6 km percorridos nesta 7ª Etapa, o grupo totaliza agora 5310,5 km desde que deixou para trás o Padrão dos Descobrimentos e encontra-se na A3, a 138 km dos Camarões.

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Nigéria

Nigéria, oficialmente República Federal da Nigéria, é uma república constituída por 36 estados. A sua costa está no Golfo da Guiné, uma parte do oceano Atlântico, a sul. O restante território faz fronteira com o Benim, Chade, Camarões e Níger. Com 148 milhões de habitantes, a Nigéria é o país mais populoso de África e o oitavo país mais populoso do mundo, é também o território com mais população negra.

A Nigéria é um país cheio de história e evidências arqueológicas mostram que a ocupação humana da área remonta a, pelo menos, 9000 A.C.

Demografia: A Nigéria é dividida em três pelos rios Níger e Benue, que chegam ao país vindos de nordeste e noroeste e se vão juntar mais ou menos no centro, perto da nova capital, Abuja. Daí, o rio Níger acrescentado com água do Benue flui para sul até desaguar no mar num grande delta (foz de um rio). O Níger é o terceiro rio mais longo da África, e o principal da África Ocidental, com cerca de 4180 km de comprimento e uma bacia hidrográfica de 2,2 milhões de km2. Pensa-se que o nome do rio Níger provém da expressão na língua tuaregue gher n gherem, “rio dos rios”.

A floresta e os bosques ocorrem principalmente no terço sul do país, que é afectado por chuvas sazonais oriundas do oceano Atlântico, entre Junho e Setembro. À medida que se segue para norte, o país vai-se tornando mais seco e a vegetação mais semelhante à da savana (região plana cuja vegetação predominante é o capim, árvores esparsas e arbustos isolados em pequenos grupos. O terço norte do país inclui-se na região semi-árida que marca o limite sul do deserto do Sahara. O seu ponto mais elevado é o Chappal Waddi, localizado no estado de Taraba, com uma altitude de cerca de 2419 metros.

Capital: As maiores cidades da Nigéria localizam-se nas terras baixas do sul. A cidade de Lagos, caracterizada por uma grande aglomeração de pessoas – 10 milhões de habitantes, é uma das maiores da Nigéria embora tenha perdido, em 1991, a condição de capital do país para a cidade de Abuja com 1,6 milhões de habitantes, segundo dados de 2008.

Abuja e Lagos (antiga capital)

Características climáticas da Nigéria: O clima predominante no território nigeriano sofre influências directas dos efeitos provocados pela costa marítima. Nas áreas próximas ao litoral sul, a temperatura máxima é de 32ºC, composta por uma alta humidade relativa do ar e índices de pluviosidade relativamente elevados e bem distribuídos durante todo o ano. No centro do país, o período chuvoso ocorre de Abril a Outubro, já a época da seca desenvolve-se de Novembro a Março, nessas as temperaturas são elevadas e podem superar os 38ºC. A norte, a seca permanece por um período maior, cerca de oito meses, fenómeno provocado pela influência dos ventos secos e quentes com origem no Deserto do Sahara.

Flora e Fauna: Nas regiões costeiras baixas, são frequentes os manguezais (ecossistema costeiro, de transição entre os ambientes terrestre e marinho, uma zona húmida característica de regiões tropicais e subtropicais)  bem como alguns pântanos onde a água é mais fresca. Mais para o interior, a vegetação dá lugar à floresta tropical, com suas várias espécies de madeiras tropicais, como o mogno. A fauna da Nigéria é caracterizada por elefantes, búfalos, leopardos, leões e pequenos animais como o atílope, macaco e hiena. Hipopótamos e crocodilos também são comuns nas zonas de rio. Existe também uma enorme diversidade de pássaros onde se incluem espécies como as que migram sazonalmente entre África e Europa.

Educação: A Nigéria possui um bom ensino, atingindo cerca de 2,7 pontos na escala global, ou seja, comparado a países como o Brasil, que possui 3,9 pontos, o país não fica muito atrás, porém, ainda está longe da média dos países desenvolvidos, que é de 6 pontos. O Canadá, por exemplo, tem cerca de 8,9 pontos na escala global.

Cultura: A Nigéria tem a terceira maior indústria cinematográfica do mundo, atrás apenas de Hollywood e Bollywood (indústria de cinema indiano). A maioria dos filmes é produzida sem grandes luxos, com equipamentos baratos e orçamento reduzido. São cerca de 1,2 mil filmes por ano, segundo a revista francesa Cahiers du Cinéma, muito acima da média norte-americana. O maior sucesso nigeriano foi o filme “Living in Bondage”, uma longa-metragem de 1992 que conta a história de um homem que fica preso por uma ceita ocultista.

Grupos étnicos: Os 3 maiores e mais influentes grupos étnicos na Nigéria são os Hauçás, Igbos e Yorubás. Contudo, a variedade dos costumes, línguas e tradições entre 389 grupos étnicos do país, oferece uma rica diversidade.

Diversos grupos étnicos

Economia: A maioria da população do país vive na pobreza absoluta, apesar da Nigéria ser considerada uma potência regional, estando listada entre as economia dos chamados “Próximos Onze” – conjunto de onze países identificados pelo Banco de investimento Goldman Sachs como de grande potencial para figurar entre as maiores economias do mundo. A Nigéria é igualmente um membro da Commonwealth – organização composta por 55 países independentes que, com excepção de Moçambique e Ruanda, compartilham laços históricos com o Reino Unido cujo principal objectivo é a cooperação internacional no âmbito polí1tico e económico. Rica em recursos minerais, tais como petróleo (possui uma das maiores reservas de minério fóssil do mundo), carvão e estanho e também em produtos agrícolas que incluem amendoim, óleo de palma, cacau, citrinos, milho, sorgo (útil na produção de farinha), mandioca, inhames e cana-de-açúcar, isto em nada favorece a população, desprovida de serviços públicos e  infra-estrutura (casa, alimentação, saúde, educação, entre muitos outros), com tendência para piorar face aos altos índices de crescimento demográfico. Parece que essa imensa riqueza não consegue atingir a pobreza com a qual os seus habitantes convivem, pois a Nigéria está entre os países com pior qualidade de vida e um dos primeiros em níveis de pobreza. Muitas vezes, o dinheiro tem destinos ilícitos, como o desvio de verbas e a prática da corrupção. Desta forma, os habitantes não são beneficiados com a arrecadação da receita.

Governo: República presidencialista com Goodluck Jonathan como presidente da Nigéria.

Idioma: A língua oficial é o inglês, além de outras como haussá, ibo e ioruba.

Religião: As maiores religiões são o islamismo, com 50%, e o cristianismo, com 40%.

Moeda: Nigerian Naira (NGN)

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